Arquivo | Música RSS feed for this section

Bipolaridade musical

5 nov

Há dias nos quais estou bipolar para a música. Explico: já imaginou escutar Michael Jackson e logo em seguida ouvir a Gal Costa dos anos 80? E por que não colocar Mika na lista de execução do Winamp e depois ouvir Jackson do Pandeiro?

Adeus, batucada…

26 out

(Sinval Silva)

Adeus meu pandeiro de samba
Tamborim de bamba
Já é de madrugada

Vou-me embora cantando
Com meu coração chorando
E vou deixar todo mundo
Valorizando a batucada

Adeus, adeus
Meu pandeiro de samba,
Tamborim de bamba
Já é de madrugada

Vou-me embora cantando
Com meu coração chorando
E vou deixar todo mundo
Valorizando a batucada

Em criança com samba eu vivia sonhando
Acordava estava tristonha chorando
Joia que se perde no mar só se encontra no fundo
Samba e Mocidade sambando sibosa neste mundo

E do meu grande amor sempre me despedi cantando
Mas da batucada agora despeço chorando
E guardo no lenço uma lágrima sentida
Adeus batucada, adeus batucada querida

Documentário: Palavra (en)cantada

18 maio

https://i0.wp.com/3.bp.blogspot.com/_de9aVWprTKI/SlLZq5kLxBI/AAAAAAAAARE/gakJ_WiFHQs/s400/palavra-encantada-poster.jpg

Ontem eu decidi que não estudaria e que dedicaria uma noite para fazer alguma coisa que eu sempre fico postergando. E elas são diversas. Não é que eu trate as coisas com desdém até o seu esquecimento, mas simplesmente eu procuro um momento oportuno para fazer algo. Nisso estão incluídas as roupas que foram compradas há um mês – mas nunca usadas – e os DVDs que me são dados para assistir.

A grata surpresa foi o documentário “Palavra (en)cantada”. Ele aborda a criação musical brasileira a partir da relação e fusão da literatura, poesia e cultura popular brasileira. Tduo, é claro, regado a depoimentos e pequenas apresentações de Lenine, Chico Buarque, Maria Bethânia, Adriana Calcanhotto, Tom Zé e outros.

Nele é apresentado um rápido panorama da formação da música brasileira, que efetivamente começou a tomar corpo no início de 1920. O documentário vai além e mostra como essas relações se dão não só na ala “imaculada” da música brasileira, mas também no hip-hop, o que de certa forma eu não esperava que fosse apresentado tendo em vista os artistas e a discussão que abriram o trabalho.

O que me marcou mesmo, no final das contas, é ver como essas pessoas extravasam seis devotados a essa coisa bela que é a musicalidade da língua portuguesa falada no Brasil.

Nos extras do DVD temos as músicas que são tocadas ao longo do documentário. Um prato cheio para quem, como eu, adora uma descoberta musical.

———-

ps.: gostaram do novo layout do blog?

ps2.: desculpem pela preguiça na elaboração dos meus textos. Eternos questionamentos estão à tona nessa semana. Tudo em minha vida fica uma cagada só.

“Melhor assim”, o novo CD de Teresa Cristina

30 abr

MELHOR ASSIM

Teresa Cristina é, para mim, uma cantora muito especial. Foi por meio de seu trabalho que eu pude conhecer o samba que eu gostava, já que é impossível abraçar todas as vertentes do samba.

Ela tem 42 anos e só foi descoberta tardiamente. Como outras do gênero, recebeu o rótulo de “nova safra da MPB”. Todavia, diferentemente das novas vozes, eu costumo dizer que a simplicidade é o ponto forte de Teresa. Não é uma voz “única” e tampouco utiliza técnicas e arranjos mirabolantes em suas músicas. Com sua voz aveludada, não é difícil imaginar algo que lembre o carinho da sua mãe cantando um belo samba ao seu ouvido.

No novo CD – gravado no Espaço Tom Jobim – ela conta com participações de Marisa Monte, Lenine, Caetano Veloso e Seu Jorge (eco!). Como sempre, Teresa demonstra que definitivamente o samba-canção foi feito para ela. As músicas tem temáticas alternadas, mas a coesão entre elas é muito agradável.

Não tive tempo de ouvir o CD inteiro, e diversas vezes eu retorno para a faixa que abre o disco. É de arrepiar.

19 fev

Há alguns posts atrás eu falei sobre renúncias para se alcançar um objetivo e o quanto é frustrante quando não se alcança o almejado. Hoje estava refletindo e me perguntei se aos poucos não acabo por me descaracterizar, ficar menos interessante diante de tantas renúncias. Às vezes sinto um vazio enorme de conteúdo em mim, uma “falta do que falar” e de novas vivências que começa a incomodar (a mim e aos outros).

Eis que no último final de semana descobri um DVD da Gal Costa de um CD que eu já conhecia, mas não tinha explorado por completo. Foi paixão à primeira vista. É o show do CD “Hoje”, com algumas músicas a mais. A captação do evento é impecável. Músicos, arranjos, vozes: tudo em sintonia. Não deu pra não comprar.

Esse álbum foi produzido pelo João Marcelo Boscoli e conta com letras de novos compositores. A voz de Gal, por sua vez, está mais contida -até mesmo pelo envelhecimento natural-, não menos bonita. O resultado é fantástico. Para mim, este foi o CD que me incentivou a conhecer mais da carreira da cantora e até mesmo derrubar alguns preconceitos. O próximo passo é começar com a Bethânia!

E lá se foi Michael…

26 jun

https://i0.wp.com/www.mikepaulblog.com/blog/media/Moonwalking%20MJ.jpg

Michael Jackson morreu ontem à tarde, deixando todos atônitos. Televisão, rádios e revistas deram destaque à carreira do cantor, com leve foco à vida pessoal do astro. Mas, esta não parece ser a opinião da maioria da população.

A conversa de metrô era a mesma nesta manhã: “o comedor de criancinhas teve seu devido fim”, “morreu porque não dava pra ficar mais branco”. Definitivamente as pessoas padecem de informação e principalmente de cultura. Esquecem que o cantor foi responsável pela revolução da música pop mundial e profissionalizou o videoclipe. Este, no caso de Michael, mais se assemelhava a curtas. Deixam de lado, ainda, aquela antiga máxima, de que não se mistura vida com carreira. Todos têm o seu auge da produção profissional. Michael, como qualquer um, teve o dele e deve ser admirado por isso.

Fim do Espaço Brasil Telecom?

19 maio

 

image     

No último sábado, durante o show de Teresa Cristina, a cantora deixou vazar que havia um boato de que o Espaço Brasil Telecom acabaria, e que aquele seria o último evento realizado lá. No dia seguinte, domingo 17 de maio, a Oi já teria absorvido a BRT, segundo a própria propaganda.

Até então não tinha me atentado para isso. E faz sentido: há semanas lojas e quiosques da Brasil Telecom já estavam reformulados e ostentavam o simpático balão amarelo. Já no Espaço Brasil Telecom nada havia sido feito, nem mesmo uma distribuição de panfletos ou video da nova marca. Na verdade, foi apresentado um pequeno video relembrando os melhores shows da Casa. Como não ia lá há um bom tempo, não sabia se esse vídeo era sempre apresentado. Não faria sentido, portanto, deixar que um espaço cheio de gente disposta a gastar ficasse sem o devido tratamento.

Estava na cara: a Oi não daria continuidade ao Projeto. Pesquisando um pouco, descobri que a Empresa tem um projeto chamado Oi Futuro, que pouco tem a ver com casas de espetáculo. Inclusive tive a oportunidade de visitar um museu/teatro da Oi na capital carioca. Bem mais interessante e democrático.

O fim do Espaço Brasil Telecom significará uma grande perda cultural para Brasília. Todavia, acho que apesar das grandes atrações que trazia, nunca foi um local democrático e provavelmente se valia de leis de incentivo à cultura para fomentar algo muito mais direcionado à classe média, a começar pela péssima localização: dentro de um hotel 5 estrelas. Para se ter idéia do quão elitista é o lugar, simplesmente não há transporte público que leve até esse hotel, e tampouco é oferecido transporte gratuito (a exemplo do que CCBB faz). Preferiram encher o lugar de manobristas para “melhor atender o público”.  Ao meu ver, a melhor opção seria recriar o espaço aos moldes da Caixa Cultural: perto do metrô/ônibus, preços populares e horário adequado para os espetáculos.

 

ps.: ao acessar o site do Espaço Brasil Telecom, ainda havia eventos para o mês de maio.