Arquivo | março, 2010

Internet pela rede elétrica

29 mar

http://culturavariada.files.wordpress.com/2009/04/adslbandalargapelaenergiaeletrica_thumb.jpg

Desde que comecei a utilizar internet escuto falar do tal acesso à rede por meio da rede elétrica. Todavia, testes e mais testes intermináveis eram feitos, mas nada que resultasse em um produto vendável. Era um laboratório promissor. Por fim, hoje, recebo a notícia de que a Intelig, que foi recentemente adquirida pela TIM – e eu nem sabia – iniciou em São Paulo a VENDA de internet banda larga pela rede elétrica.

A bronca não fica tanto para os preços praticados – que estão acima do mercado, mas para a área de cobertura. Além de pequena, a intelig inicia as operações de um produto inovador em regiões da cidade de São Paulo que são plenamente atendidas por acesso rápido de ponta por diversas operadoras. Uma grande mancada, eu diria.

Em Brasília isso seria impraticável, já que com muito sufoco conseguimos energia elétrica decente. Imagine, então, trafegar dados por uma rede velha e que não dispõe do básico: energia

Os filmes e seus nomes

18 mar

A Revista Piauí deste mês publicou um artigo muito interessante (e engraçado) sobre o processo de escolha do título em português de filmes estrangeiros. Nele é apresentado o processo – nem sempre criativo – para tornar um título nada atraente em algo bem marqueteiro. Os problemas, as soluções e impossibilidades. Vale a pena!

 

MARIANA FILGUEIRAS

Passava das nove da noite, a reunião já durava mais de quatro horas e cinco funcionários do marketing da distribuidora Focus Filmes penavam para encontrar uma boa saída em português para The Ugly Duckling and Me!, título de uma animação europeia sobre um patinho que, certo dia, vai-se saber por quê, acorda, olha para um rato e grita: "Papai!" A fita estrearia no Brasil em poucos dias e aquela segunda-feira era a data limite para a decisão. A tradução literal, "O Patinho Feio e Eu!", estava descartada, pois chamar o herói de "feio" poderia espantar espectadores.

A coisa não ia. Entediado, o engravatado responsável pelo slide show abriu o programa de mensagem instantânea e pôs-se a conferir se alguém pensava nele: "Ainda está no trabalho?", perguntavam de lá. "Putz, a coisa tá feia!", respondeu o entediado de cá. Um colega que se ocupava em mastigar a tampa da caneta foi o primeiro a perceber o deslize: a conversa particular estava sendo projetada na parede. Como, àquela altura, qualquer interrupção do estupor era bem-vinda, ele largou o que estava fazendo e repetiu em voz alta: "Putz, a coisa tá feia!"

Silêncio na sala. Um profissional de marketing olhou para outro profissional de marketing e este para um terceiro, que devolveu o olhar. Sim, sim… Por cansaço ou por acaso, ou ainda por que o patinho era mesmo muito feio, o fato é que baixou um consenso imediato. Uma rápida consulta para saber se a diretoria considerava "putz" um palavrão – não, não considerava, ótimo – e deu-se a missão por cumprida. O patinho com voz de Márcio Garcia (o ator) estava liberado para as crianças do Brasil.

"Ficamos duas semanas em reuniões e o título apareceu assim…", comentou a gerente de marketing Renata Ishihama, oito anos dedicados a titular lançamentos estrangeiros no Brasil. Engana-se quem pensa que a tarefa é deixada a tradutores de legenda – a raça não passa nem perto da sala de reuniões. Quem determina que Four Christhmases vire Surpresas do Amor e não "Quatro Natais" é o departamento de marketing das distribuidoras, um conjunto de cinco a doze almas cujo prazo para dar vazão à criatividade varia de 48 horas a noventa dias.

Muitas vezes as coitadas nem assistem às películas. "Não dá tempo", explica a gerente da Europa Filmes, Mônica Alpha. "Temos de começar a preparar o material de divulgação muito antes de o filme chegar para nós. Trabalhamos com uma sinopse traduzida e algumas palavras-chave." Foi assim com Million Dollar Baby, Oscar de melhor filme em 2005. Além do título original, eles tinham as palavras "luta" e "vitória". Ideias como "Em Busca da Vitória" e "Lutando pela Vitória" entraram no páreo, mas tiveram vida curta. Uma fina psicologia decretou a vitória de Menina de Ouro: "A sua filha, a sua mãe ou a sua namorada podem ser a menina de ouro pra você", ensina Mônica. "As expressões populares ampliam o público espectador."

A cartilha do que funciona ou não reflete os avanços da ciência do marketing. Quantos animais/pessoas/profissões/façanhas não foram "da pesada" nos anos 80? As gírias, um grande sucesso daqueles tempos, hoje são tão passées quanto os cabelos de Farrah Fawcett. Como atestam lançamentos recentes, foram destronadas pelas tais "expressões populares", que habitualmente também respondem pelo nome de lugar-comum. Zack and Miri Make a Porno virou Pagando Bem, que Mal Tem? My Life in Ruins virou Falando Grego. Num elegante jogo de palavras com a campanha do Ministério da Saúde, The Hangover ["A ressaca"] transformou-se em Se Beber, Não Case, solução que deve ter feito o aglomerado de almas soltar foguete.

Mas esses são exemplos, digamos, mais elaborados. Um veio popularesco não pode ser ignorado, e nele a rainha do tiro-e-queda é a solicitadíssima "deu a louca", à qual nada e ninguém está imune. Em 2005, Deu a Louca na Chapeuzinho. Em 2006, Deu a Louca na Cinderela. Em 2007, hospício geral, pois Deu a Louca em Hollywood. Não há perdão sequer para diretores que se dão ao respeito. É o caso do dramaturgo e diretor independente americano David Mamet. No longínquo ano 2000, o seu State and Main (nomes de duas ruas) – uma comédia-cabeça sobre os estragos desencadeados por uma equipe de filmagem numa pequena cidade americana -, foi brindado com o título de Deu a Louca nos Astros. O século xvii não conheceu departamentos de marketing, caso contrário Hamlet nos teria chegado como Deu a Louca na Dinamarca.

Da lista do que não funciona constam gírias regionais ("arretado", "trilegal" e assemelhados), títulos excessivamente longos (por comerem segundos preciosos das campanhas de rádio e tv), palavras pejorativas, escatológicas ou malditas (na distribuidora Europa, filme nenhum leva "maldição" no título) e aquelas que, aos olhos dos especialistas, "não dizem nada". É o caso de Motherhood, que estreou em janeiro. O marketing da Paris Filmes, concluindo que traduzir por "Maternidade" seria abstrato demais, tascou-lhe um parente próximo do "deu a louca", o quase tão popular "em apuros". Ficou Uma Mãe em Apuros.

Nome próprio também pode comprometer. Ponyo, animação infantil do diretor japonês Hayao Miyazaki, com estreia marcada para abril, recebeu em inglês o título Ponyo on the Cliff by the Sea, algo como "Ponyo na Falésia do Mar". A gerente de marketing da Playarte, Eliete Moraes, certamente suspirou fundo. "Fizemos uma pesquisa e constatamos que ninguém sabia o que era ‘falésia’, então optamos por Uma Amizade que Vem do Mar."
Em casos muito desesperadores, as melhores práticas do marketing recomendam um tagline, o nome que eles dão para o subtítulo. Dizem que salva bilheteria. Nas asas dos taglines, Taxi Driver, de Martin Scorcese, renasceu, um tanto reiterativo, como Taxi Driver – Motorista de Táxi. Be Kind, Rewind, de Michel Gondry, inspirou um requintado trocadilho: Rebobine, Por Favor – Uma Loucadora Muito Louca.

A estratégia é adotada principalmente quando o diretor desautoriza mudanças no título, como faz Woody Allen, um chato, embora se deva dispensar alguma compaixão a um mortal que viu o seu Annie Hall transfigurar-se em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. Para lançar Match Point, a distribuidora arriscou um Ponto Final – Match Point. Deu certo. Os filmes de Allen alcançam em média 250 mil espectadores. Esse fez 498 mil. Foi um dos campeões de bilheteria de 2005 no Brasil.
"Mudamos todos os títulos que, por qualquer razão, sejam difíceis de compreender ou de pronunciar na bilheteria ou na locadora", diz Mônica Alpha. Vez por outra, admita-se, é a coisa sensata a fazer. Tome-se um filme como Furry Vengeance, que estreará em maio. Imagine-se o esforço do rapaz ao explicar aos pais da moça por que está tão animado em levá-la para ver Vingança Peluda.


Não, melhor não inventar. Deu a Louca nos Bichos e não se fala mais nisso.

Fonte: www.RevistaPiaui.com.br

Serviço: como descobrir a operadora à qual um número pertence?

17 mar

As ofertas das operadoras são muitas. Fale ilimitado, bônus todo dia… Todavia, essas promoções somente são válidas para números da mesma companhia. Com o advento da portabilidade numérica a coisa ficou mais complicada ainda, pois ficou difícil saber a qual operadora um número pertence. Muitas vezes o usuário vê seus créditos irem embora, pois pensou estar em uma ligação de mesma operadora.

Na tentativa de solucionar este problema, encontrei o site da ABR, entidade que administra a portabilidade numérica no Brasil. Basta inserir o DD+número (ex.: 6123456789). Vale para telefonia fixa e móvel. O número da minha casa, por exemplo, tem prefixo típico da Oi. Após a consulta, ele mostra que é, na verdade, GVT.

Link: http://consultanumero.abr.net.br:8080/consultanumero/

image

25 anos do .com

16 mar

https://i0.wp.com/1.bp.blogspot.com/_-2N1RWfuc_A/SMGgytvzyAI/AAAAAAAAAWs/Vrh2P0FaQbQ/s320/hitman.jpg

Hoje faz 25 anos que o primeiro domínio .com foi registrado. Para quem não sabe, o “nomezinho” do seu site precisa ser registrado junto a um órgão para que tenha validade mundialmente. A revista PC World americana publicou os 200 primeiros registros. O primeiro data do dia 15 de março de 1985, poucos dias antes do meu nascimento (a Polliana já defendia os ideais feministas há 3 dias). Dá pra imaginar quem figura nessa lista, certo? Dê uma olhada.

1. symbolics.com: 15 de março de 1985
2. bbn.com: 24 de abril de 1985
3. think.com: 24 de maio de 1985
4. mcc.com: 11 de julho de  1985
5. dec.com: 30 de setembro de 1985
6. northrop.com: 7 de novembro de 1985
7. xerox.com: 9 de janeiro de 1986
8. sri.com: 17 de janeiro de 1986
9. hp.com: 3 de março de 1986
10. bellcore.com: 5 de março de 1986
11. ibm.com: 19 de março de 1986
12. sun.com: 19 de março de 1986
13. intel.com: 25 de março de 1986
14. ti.com: 25 de março de 1986
15. att.com: 25 de abril de 1986
16. gmr.com: 8 de maio de 1986
17. tek.com: 8 de maio de 1986
18. fmc.com: 10 de julho de 1986
19. ub.com: 10 de julho de 1986
20. bell-atl.com: 5 de agosto de 1986
21. ge.com: 5 de agosto de 1986
22. grebyn.com: 5 de agosto de 1986
23. isc.com: 5 de agosto de 1986
24. nsc.com: 5 de agosto de 1986
25. stargate.com: 5 de agosto de 1986
26. boeing.com: 2 de setembro de 1986
27. itcorp.com: 18 de setembro de 1986
28. siemens.com: 29 de setembro de 1986
29. pyramid.com: 18 de outubro de 1986
30. alphacdc.com: 27 de outubro de 1986
31. bdm.com: 27 de outubro de 1986
32. fluke.com: 27 de outubro de 1986
33. inmet.com: 27 de outubro de 1986
34. kesmai.com: 27 de outubro de 1986
35. mentor.com: 27 de outubro de 1986
36. nec.com: 27 de outubro de 1986
37. ray.com: 27 de outubro de 1986
38. rosemount.com: 27 de outubro de 1986
39. vortex.com: 27 de outubro de 1986
40. alcoa.com: 5 de novembro de 1986
41. gte.com: 5 de novembro de 1986
42. adobe.com: 17 de novembro de 1986
43. amd.com: 17 de novembro de 1986
44. das.com: 17 de novembro de 1986
45. data-io.com: 17 de novembro de 1986
46. octopus.com: 17 de novembro de 1986
47. portal.com: 17 de novembro de 1986
48. teltone.com: 17 de novembro de 1986
49. 3com.com: 11 de dezembro de 1986
50. amdahl.com: 11 de dezembro de 1986
51. ccur.com: 11 de dezembro de 1986
52. ci.com: 11 de dezembro de 1986
53. convergent.com: 11 de dezembro de 1986
54. dg.com: 11 de dezembro de 1986
55. peregrine.com: 11 de dezembro de 1986
56. quad.com: 11 de dezembro de 1986
57. sq.com: 11 de dezembro de 1986
58. tandy.com: 11 de dezembro de 1986
59. tti.com: 11 de dezembro de 1986
60. unisys.com: 11 de dezembro de 1986
61. cgi.com: 19 de janeiro de 1987
62. cts.com: 19 de janeiro de 1987
63. spdcc.com: 19 de janeiro de 1987
64. apple.com: 19 de fevereiro de 1987
65. nma.com: 4 de março de 1987
66. prime.com: 4 de março de 1987
67. philips.com: 4 de abril de 1987
68. datacube.com: 23 de abril de 1987
69. kai.com: 23 de abril de 1987
70. tic.com: 23 de abril de 1987
71. vine.com: 23 de abril de 1987
72. ncr.com: 30 de abril de 1987
73. cisco.com: 14 de maio de 1987
74. rdl.com: 14 de maio de 1987
75. slb.com: 20 de maio de 1987
76. parcplace.com: 27 de maio de 1987
77. utc.com: 27 de maio de 1987
78. ide.com: 26 de junho de 1987
79. trw.com: 9 de julho de 1987
80. unipress.com: 13 de julho de 1987
81. dupont.com: 27 de julho de 1987
82. lockheed.com: 27 de julho de 1987
83. rosetta.com: 28 de julho de 1987
84. toad.com: 18 de agosto de 1987
85. quick.com: 31 de agosto de 1987
86. allied.com: 3 de setembro de 1987
87. dsc.com: 3 de setembro de 1987
88. sco.com: 3 de setembro de 1987
89. gene.com: 22 de setembro de 1987
90. kccs.com: 22 de setembro de 1987
91. spectra.com: 22 de setembro de 1987
92. wlk.com: 22 de setembro de 1987
93. mentat.com: 30 de setembro de 1987
94. wyse.com: 14 de outubro de 1987
95. cfg.com: 2 de novembro de 1987
96. marble.com: 9 de novembro de 1987
97. cayman.com: 16 de novembro de 1987
98. entity.com: 16 de novembro de 1987
99. ksr.com: 24 de novembro de 1987
100. nynexst.com: 30 de novembro de 1987

Philips reciclará até 200 toneladas de equipamentos.

15 mar

Está ai uma ótima atitude, que deveria ser obrigatória a toda empresa que se dispusesse a vender (principalmente) equipamentos eletrônicos. Já que tudo é feito para ser descartável – é mais caro consertar do que comprar um novo – por que não responsabilizar também seus produtores pela entulhada de tecnologia lançada anualmente?

 

Iniciativa foi lançada nesta segunda-feira (15/3) e representa uma continuidade de projeto-piloto desenvolvido em 2009.

A Philips lançou nesta segunda-feira (15/3) um programa de reciclagem que envolverá 25 cidades brasileiras. O projeto vai reciclar produtos eletroeletrônicos e eletrodomésticos que levam o nome da empresa ou a marca Philips Walita. O programa contemplará, por exemplo, aparelhos de TV, áudio e vídeo, eletroportáteis  e monitores.

A iniciativa dá continuidade a um projeto-piloto iniciado em Manaus em janeiro de 2009 que envolveu a reciclagem de 12 toneladas de equipamentos.
A capacidade de reciclagem do novo programa é de 200 toneladas por ano. Para entregar seus produtos ao programa, o consumidor deve entrar em contato com o serviço de atendimento ao consumidor da Philips pelos telefones (11) 2121-0203 ou 0800-7010203. Outra possibilidade é o site. Todo o processo de reciclagem será realizado pela empresa Oxil, que ficará responsável por desmontar  a dar a destinação adequada aos componentes.

Fonte: IDG NOW!

http://idgnow.uol.com.br/computacao_pessoal/2010/03/15/programa-da-philips-pode-reciclar-ate-200-toneladas-de-equipamentos-por-ano/

E por falar em sons…

11 mar

Sempre esqueço de falar sobre tópicos que citei há algum tempo. Mario galaxy é vítima forte desse esquecimento. Era pra fazer um review sobre esse jogo que me conquistou logo de cara, quando comprei meu Nintendo Wii. Como não disponho de conhecimento técnico e muito menos sou expert no jogo – a ponto de nem ter chegado ao fim dele – quero compartilhar algo marcante nessa produção: a trilha.

Antes de tudo, para quem não sabe, Koji Kondo é o japonês (óbvio) responsável por todas as músicas das sagas do Mario, desde os primórdios, lá em 1985. Ele é o encarregado de compor e dirigir as trilhas que nos acompanham em castelos e chefões – e que deixam minha irmã nervosa. No Mario Galaxy eu diria que isso está bem acentuado. A trilha é tão harmônica em algumas fases – como na do Jardim do Vento e Casa Fantasma – que te arrepiam.

Melhor do que falar, é ouvir, certo?

Vejam que bacana. essa orquestra imensa foi utilizada na trilha do Gusty Garden (uma galáxia dentro das diversas que você passa).

Agora, reparem como a trilha se apresenta ao longo da fase. (acelere cerca de 40 segundos)

Essa é a Casa Fantasma. O melhor momento fica na entrada do violino.

 

Há, ainda, músicas antigas com novos arranjos e instrumentação. Há dezenas de fases com trilhas que se tornaram clássicos. É uma pena não ter tanto tempo (e habilidade) para chegar ao fim deste jogo. E olha que ele saiu em 2007 e para este ano já está anunciada a chegada de Mario Galaxy 2!

Memória auditiva

9 mar

Outro dia eu estava não diante, mas sobre o trono. Era sábado e a TV ainda estava ligada. De repente, toca uma vinheta. Imediatamente começo a pensar que já era tarde da noite, tendo em vista que Supercine já havia começado. Segundos depois, a reflexão: esse canal é tão manipulador a ponto de eu estar no banheiro, com a porta fechada, mas mesmo assim o indecente consegue me informar o que e quando está passando.

A maioria das pessoas tem boa memória auditiva. O finado Marinho, que trouxa não era, sabia muito bem disso. E a Vênus Platinada mantém por décadas a mesma trilha sonora para seus programas. No máximo mudam a nota de um instrumento ou suavizam um arranjo – graças a Deus o Globo Esporte deu um jeito naquela música irritante –, mas a essência é a mesma. Com a correria e estresse cotidiano, cada vez mais “ouvimos” televisão.

É impressionante como os sons influenciam nosso corpo e conduta. Uma rua vazia torna-se muito mais assustadora do que o mesmo local com assaltantes em meio a uma multidão pedestres. O despertador é, para mim, a melhor experiência de como um som assimilado age no seu corpo. Há muito tempo eu utilizo o famoso “nokia tune” (que todos conhecem) como despertador e lembrete. Onde quer que eu esteja, basta escutar essa música para que meu corpo e mente comece a fazer associações. O negócio é tão sério que muitas vezes meu batimento cardíaco é alterado por conta de uma possível assimilação que meu corpo faz do som da nokia com o ato de acordar.

Possivelmente não me enquadro na generalização que as pessoas fazem ao dizerem que possuem uma memória visual desenvolvida e são capazes de lembrar de fulano, inclusive descrevendo a indumentária. No meu caso, acho que até mesmo minha memória olfativa e geográfica estão mais desenvolvidas. Isso não vem ao vem ao caso. Enquanto isso, a Globo continua a me aterrorizar com seus sons. E certo que por muito tempo continuarei a indagar se o corpo de Ulysses Guimarães foi encontrado todas as vezes que a vinheta do “Plantão” tocar.